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Uma breve história do zika vírus

Jorge Antonio de Queiroz e Silva

Drauzio Varella: “Num país com baixa escolaridade, em crise econômica, com níveis vergonhosos de saneamento básico e serviços de saúde que lidam com a falta crônica de financiamento e dificuldades gerenciais não há uma razão sequer para otimismo.” Crédito da imagem: Gnotícias.
Nas últimas semanas os mais variados veículos de comunicação, nacionais e internacionais, têm dado ênfase ao zika. Não se sabe ao certo como ele aterrissou em terras brasileiras. Sabe-se que a transmissão do zika vírus é feita pelo mosquito Aedes aegypti (Aēdēs, do grego, "odioso" e ægypti, do latim, "do Egipto), transmissor também da dengue, chikungunya e febre amarela.

Até que as organizações internacionais não tivessem se manifestado, com invocações questionadoras e sérias, a discussão se restringia aos pobres países tropicais. O desvendamento de que a possibilidade de transmissão não se dá apenas pelo mosquito vetor, com consequências devastadoras, fez com que o Planeta resolvesse encarar o problema que devia estar na pauta há muitos anos.

Esse problema começou, em 1947, na floresta Zika, no continente africano, em Uganda, quando cientistas do Yellow Fever Research Institute observaram um macaco, para verificar se ele adquiria febre amarela. O primata ficou doente por outro vírus. Esta infecção foi descrita e nomeada pelo nome da floresta no ano 1951.

Passados três anos, o primeiro humano, um nigeriano ficou enfermo. E surtos de pequenas proporções de zika passaram a ocorrer em países dos continentes africanos e asiáticos.

Pela primeira vez, em 2007, um surto de zika aconteceu no continente Oceania, na ilha de Yap, na Micronésia, nação insular composta por 607 ilhas.

No continente América, estima-se que o vírus tenha chegado entre 2014 e 2015.

No Brasil, o vírus escolheu o Estado de Pernambuco (alguns pesquisadores afirmam que foi na Bahia), região Nordeste, para atacar, no começo do ano passado. Identificou-se a relação entre zika e microcefalia (o crânio da criança é de tamanho menor que o do normal). Mas o vírus já circula em vários estados brasileiros e ao menos 28 países já registraram a transmissão do vírus. Drauzio Varella (médico oncologista, cientista e escritor) argumenta:

(...) Aqui, ninguém sabe onde a epidemia vai parar. Já temos mais de 4.000 bebês com suspeita de microcefalia, a face mais trágica. A constatação de que algumas dessas crianças nascem com comprometimento da visão e da audição faz pensar que microcefalia seja apenas parte de uma síndrome neurológica muito grave e incapacitante.

Além dessa síndrome, o que mais assusta são as características da disseminação. Embora tenham sido descritas transmissões ocasionais por transfusão e por sexo, o Aedes foi capaz de levar o vírus do Nordeste brasileiro ao México em velocidade vertiginosa. Que outra virose transmitida por mosquito se disseminou tão depressa na história recente da humanidade?

(...) Outro entrave é a falta de testes sorológicos para diagnosticar quem está ou já foi infectado: os anticorpos contra o zika dão reação cruzada com os da dengue, da febre amarela e dos vacinados contra ela.

O único exame disponível é a detecção de partículas virais no sangue por métodos moleculares – realizado apenas em laboratórios de referência – com a agravante de que a positividade só é detectada no sangue nos quatro ou cinco dias iniciais da sintomatologia. Passado esse período, o vírus desaparece da circulação, embora ainda persista na urina por duas ou três semanas.

Não fossem as grávidas, o agravo seria menor. Descontados os casos raros da síndrome de Guillain-Barré, que provoca paralisias musculares, a doença é de evolução benigna: exantema (vermelhão no corpo), dor de cabeça, conjuntivite, febre baixa (ao contrário da dengue), dores articulares e prurido, sintomas que desaparecem em menos de uma semana.

(...) As mulheres em idade fértil vivem um drama à parte. É arriscado engravidar agora? Além de fugir do mosquito como o diabo da cruz, as grávidas querem saber se fazem parte da legião de infectados que não apresentou sintomas. Nessa eventualidade, correriam risco de malformação? As que já tiveram zika, precisam aguardar quantos meses para engravidar com segurança?

Tudo faz crer que o vírus seja eliminado em algumas semanas pelo sistema imunológico, e que a imunidade seja duradoura, mas como ter certeza numa doença que apareceu entre nós há menos de um ano?

No meio de tantas dúvidas, só nos resta recomendar cautela. Esperar o inverno, quando as condições climáticas dificultam a proliferação do mosquito, para ganhar tempo e entendermos melhor o que se passa.

Estamos no epicentro de uma epidemia de consequências gravíssimas que exige mobilização popular, ações governamentais ágeis e eficazes e recursos financeiros.

Num país com baixa escolaridade, em crise econômica, com níveis vergonhosos de saneamento básico e serviços de saúde que lidam com a falta crônica de financiamento e dificuldades gerenciais não há uma razão sequer para otimismo.

Esses argumentos realísticos de Varella suscitam alguns questionamentos: Até que ponto o Rio de Janeiro tem condições de sediar as Olímpiadas 2016, entre os dias 5 e 21 de agosto? O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, entidades do setor de saúde e a população vêm denunciando a pior crise na saúde pública no Estado. Faltam leitos e médicos, profissionais não recebem salários em dia e por ai vai...

É oportuno lembrá-los (las) do vexame da Seleção Brasileira de Futebol na Copa do Mundo de 2014, ao ser derrotada pela Seleção Alemã de Futebol por expressivos 7 a 1, no Estádio Mineirão, em Belo Horizonte. Será que seremos goleados novamente, desta vez pelo vírus zika, nas Olimpíadas 2016 no Rio de Janeiro, o maior evento esportivo do mundo? Seria um desastre, pois o Brasil já está desacreditado em âmbito internacional, tanto na economia quanto no índice desvairado de corrupção, cuja referência é a Petrobras (Operação Lava Jato) ao protagonizar o maior golpe na história do Planeta.

Jorge Antonio de Queiroz e Silva é historiador, palestrante, professor.
Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.


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